A CSN vai vender o seu negócio? Entenda o plano para resolver a dívida

Não, Benjamin Steinbruch não venderá a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como um todo. Embora rumores recentes apontem sondagens para a venda de unidades específicas, como siderurgia e cimentos, o empresário mantém o controle firme da companhia. Ele executa agora um plano estratégico de desalavancagem para sanear as contas do grupo.
Rumores de Venda Total

A diretoria da CSN descarta qualquer plano para alienar a companhia inteira. Em vez disso, notícias de janeiro de 2026 revelam que a empresa iniciou contatos informais com rivais para avaliar o interesse em até 100% da unidade de siderurgia. A CSN utiliza essa manobra para captar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de ativos não essenciais.
A gigante brasileira busca reduzir a relação dívida líquida/EBITDA para cerca de 1x em um prazo de oito anos. Analistas de mercado interpretam a movimentação como uma revisão estratégica necessária, enquanto os juros altos e as importações de aço asiático pressionam o balanço da empresa. Mesmo assim, Steinbruch não sinaliza perda do controle acionário.
Plano Estratégico de Desalavancagem
Em comunicado enviado à CVM no dia 14 de janeiro de 2026, o conselho da CSN aprovou a alienação de ativos para concentrar esforços em mineração e infraestrutura, segmentos que entregam maior rentabilidade. O plano inclui as seguintes frentes:
- CSN Cimentos: A empresa busca investidores para o controle desta unidade líder.
- Holding de Infraestrutura: A companhia planeja negociar entre 20% e 30% de uma nova estrutura que engloba a TransNordestina e a MRS.
A venda de 11% da MRS para a CSN Mineração em 2025 já rendeu R$ 3,35 bilhões, servindo como um teste positivo para a estratégia. Com essas medidas, a CSN projeta economizar até R$ 1,8 bilhão anuais em juros, fortalecendo o caixa para dobrar o seu EBITDA.
Contexto Financeiro da CSN
A CSN carrega uma alta alavancagem devido aos investimentos vultosos em expansão, como a compra da Holcim (2021) e da Galvacolor (2025). Em 2026, o cenário de juros elevados no Brasil pressiona a liquidez do grupo, obrigando a gestão a priorizar ativos resilientes. Atualmente, a CSN Mineração sustenta a segurança financeira do grupo com R$ 13 bilhões em caixa.
Embora as ações (CSNA3) tenham caído logo após o anúncio das vendas devido às incertezas do mercado, casas de análise como a Genial preveem uma melhora significativa. Eles acreditam que apenas a venda da unidade de cimentos já derrubaria a relação dívida/EBITDA para 2x.
Foco em Siderurgia e Cimentos
A siderurgia, historicamente a “joia da coroa” da CSN, ainda responde por 30% do faturamento. Entretanto, a concorrência chinesa e a necessidade de altos investimentos (CAPEX) pesam sobre o setor. Por isso, a empresa busca parceiros brasileiros ou asiáticos para uma venda total ou parcial, planejando o processo formal para o terceiro trimestre de 2026.
No setor de cimentos, o Morgan Stanley assessora a operação. Como a unidade opera de forma independente e possui um balanço saudável, o mercado estima que a venda valorize o ativo em até 7,5x o seu EBITDA. Na área de infraestrutura, Bradesco e Citibank devem intermediar a entrada de acionistas minoritários, preservando as sinergias logísticas do grupo.
Impactos para Acionistas e Mercado
Benjamin Steinbruch não descarta novas vendas para equilibrar o capital, mas mantém o foco no crescimento sustentável. A empresa informará o mercado via CVM sobre cada desdobramento, respeitando as aprovações regulatórias necessárias.
Para o investidor, o cenário sinaliza um risco de diluição em unidades específicas, mas oferece um potencial de alta (upside) na mineração. No setor siderúrgico nacional, uma eventual saída parcial da CSN alteraria toda a dinâmica competitiva, beneficiando potencialmente rivais como Usiminas ou Gerdau.
Perspectivas Futuras
Com negociações avançadas, a CSN mira o fechamento de acordos ainda em 2026 para consolidar um “novo ciclo de crescimento”. O mercado aguarda também o IPO ou a criação de uma Joint Venture para a divisão de infraestrutura. Enquanto a empresa abre mão da siderurgia tradicional, mantém a seletividade em aquisições estratégicas, como a negociação pela InterCement. No fim, a CSN não busca a sua própria venda, mas sim uma reestruturação profunda para vencer em um cenário desafiador.