Banco Central liquida o Will Bank: E agora?

Banco Central liquida o Will Bank: E agora? Entenda o risco de contágio

O cenário que muitos temiam aconteceu: o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Will Bank nesta quarta-feira (21). A notícia chega como um efeito dominó após a queda do Banco Master, instituição à qual o banco digital estava ligado. Se você é cliente ou investidor, o momento não é de pânico, mas de entender as regras do jogo e o que acontece com o seu dinheiro a partir de agora.

O que motivou a liquidação do Will Bank?

Nubank pode deixar de existir
Nubank pode deixar de existir

A decisão do Banco Central não foi aleatória. O Banco Will Bank foi arrastado pela crise de confiança que atingiu o conglomerado do Banco Master. Após a prisão de figuras chave e o comprometimento da saúde financeira do grupo, a insolvência do Will Bank tornou-se inevitável. Ontem mesmo, a Mastercard já havia bloqueado os cartões da instituição, sinalizando que o “crash” era iminente.

Muitos se perguntam por que o BC não agiu antes. Existe a forte suspeita de que o órgão aguardava uma possível venda para fundos estrangeiros ou investidores brasileiros (como o apresentador Luciano Huck), mas ninguém quis herdar os “esqueletos no armário” deixados pela gestão anterior. Sem comprador e sem confiança, a liquidação foi a única saída para evitar um contágio ainda maior.

Tenho dinheiro no Banco Will Bank. Vou perder tudo?

A resposta curta é: depende do valor. O Will Bank operava com depósitos e CDBs que contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

  • Até R$ 250 mil: Seus depósitos e investimentos em CDB estão garantidos. Você receberá o dinheiro de volta através do processo de ressarcimento do FGC.
  • Acima de R$ 250 mil: O valor que exceder esse teto entra na massa falida e as chances de recuperação total são baixas e demoradas.

Atenção: A liquidação interrompe as atividades imediatamente. Pix, saques e pagamentos de boletos pelo app estão suspensos até que o liquidante organize a lista de credores.

Dívidas no Will Bank: “A festa acabou”?

Muitos clientes comemoraram nas redes sociais achando que as dívidas de cartão de crédito seriam perdoadas. Isso é um erro grave.

Na liquidação, o interventor nomeado pelo Banco Central tem o dever de cobrar cada centavo devido para pagar os credores do banco. Sua fatura do Will Bank continua existindo e deve ser paga. O não pagamento resultará em juros e restrições no CPF, exatamente como em qualquer outra instituição financeira.

O risco sistêmico: O FGC aguenta o tranco?

Aqui reside a maior preocupação para o mercado financeiro brasileiro. A liquidação do Banco Master já consumiu cerca de R$ 40 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito. Com a entrada do Will Bank, estima-se que mais R$ 6,5 bilhões a R$ 7 bilhões sejam drenados do fundo.

Somados, esses dois episódios já comprometem quase 50% do patrimônio total do FGC. O medo do mercado é o “contágio”: se outras instituições que já demonstram fragilidade (como o BRB ou a Fictor) também precisarem de intervenção, o FGC pode não ter liquidez imediata para garantir todos os correntistas do sistema. É uma crise de confiança que pode forçar o Banco Central a agir de forma ainda mais agressiva.

Garotos-propaganda e a polêmica da responsabilidade

O caso do Will Bank levanta uma discussão ética e jurídica importante. A instituição investiu pesado em publicidade na TV Globo e utilizou figuras como Luciano Huck e Vinícius Júnior para atrair clientes. Enquanto o Congresso tenta aprovar leis para responsabilizar influenciadores digitais por anúncios de apostas, fica a pergunta: qual a responsabilidade da grande mídia e dos artistas que chancelaram um banco que agora deixa milhares de clientes na mão?


 O que fazer agora?

Se você tem valores no Will Bank, o primeiro passo é baixar seus extratos (se o app permitir) ou aguardar as orientações oficiais no site do FGC e do Banco Central. Se você tem dívidas, mantenha o dinheiro da fatura reservado, pois a cobrança virá.

O caso Will Bank serve de alerta: confiança é o único ativo real de um banco. Quando ela acaba, nem o melhor marketing do mundo segura as portas abertas.

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