Mpox em Araraquara: Jovem com a Doença Cumpre Quarentena em Casa; Entenda Sintomas e Casos
A Prefeitura de Araraquara confirmou o primeiro caso da doença no município em 2026. Paciente está sendo monitorado pelas equipes de saúde e apresenta quadro leve.
A Secretaria Municipal de Saúde de Araraquara, no interior de São Paulo, confirmou oficialmente o registro do primeiro caso da doença mpox no município neste ano de 2026. De acordo com a nota emitida pela prefeitura, o paciente é um jovem que, após apresentar sintomas característicos e ter o diagnóstico confirmado por laudo laboratorial do Instituto Adolfo Lutz, encontra-se em quarentena domiciliar.
A administração municipal tranquilizou a população informando que o jovem “passa bem” e que todas as medidas de bloqueio e monitoramento epidemiológico de contatos próximos já foram adotadas pelas equipes de vigilância em saúde. O caso acende um alerta para a necessidade contínua de vigilância contra o vírus, que causou uma emergência de saúde pública internacional em anos anteriores e continua a registrar casos esporádicos no Brasil.
O Caso de Mpox em Araraquara e a Resposta Sanitária
Conforme os dados divulgados pelo Serviço Especial de Saúde de Araraquara (Sesa) e noticiados pelo portal G1, o paciente corresponde a um homem com idade entre 25 e 27 anos. O diagnóstico positivo foi recebido pelas autoridades locais na manhã de quarta-feira (25 de fevereiro de 2026), após análise da amostra coletada.
Em entrevista à EPTV, a médica infectologista do Sesa, Dra. Estela Catelani, confirmou a situação estável do paciente. “Ele está bem, e até o momento, este é o único caso registrado no município. O paciente teve contato com pessoas de fora da cidade”, explicou a especialista. A investigação epidemiológica sugere, portanto, que se trata de um caso importado, e não de transmissão comunitária dentro de Araraquara até o momento.
O monitoramento de contatos é uma etapa crítica nos protocolos do Ministério da Saúde para conter a disseminação da doença mpox. As pessoas que tiveram contato próximo com o jovem durante o período de transmissibilidade estão sendo identificadas e orientadas a observar o surgimento de qualquer sinal ou sintoma pelos próximos 21 dias.
Panorama da Doença Mpox: Casos e Sintomas no Estado
A confirmação em Araraquara ocorre dentro de um cenário monitorado pela Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo (SES-SP). Até a publicação desta reportagem, o estado de São Paulo contabilizava 57 casos confirmados da doença mpox em 2026.
É importante destacar que, apesar do registro de novos casos, não há registro de óbitos decorrentes da doença no estado neste ano. A maioria dos pacientes, assim como o jovem de Araraquara, tem apresentado quadros clínicos considerados leves ou moderados, que podem ser manejados com isolamento domiciliar e tratamento sintomático, sem necessidade de internação hospitalar.
No âmbito nacional, o Brasil continua a registrar casos. Dados do Ministério da Saúde indicam que o país somava cerca de 90 casos confirmados de mpox nas primeiras semanas de 2026, com São Paulo concentrando a maior parte das notificações. O monitoramento genético do vírus é mantido para identificar a circulação de diferentes variantes (clados), especialmente após o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre uma nova variante mais agressiva circulando na África em 2024, que exige vigilância global reforçada.
Entenda a Doença: Principais Sintomas e Formas de Transmissão
Para a população, o conhecimento sobre a doença mpox, casos, sintomas e formas de prevenção é a ferramenta mais eficaz de controle. A mpox é uma doença viral causada pelo vírus monkeypox (MPXV), do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae. Embora historicamente conhecida como “varíola dos macacos”, o termo foi alterado pela OMS para mpox para evitar estigma e preconceito.
Sintomas Comuns
Os sintomas da mpox geralmente aparecem de 3 a 21 dias após a exposição ao vírus (período de incubação). O quadro clínico costuma ser dividido em duas fases:
- Fase Inicial (Prodrômica): Geralmente dura de 1 a 3 dias e é marcada por febre súbita, dor de cabeça intensa, dores musculares (mialgia), dor nas costas, calafrios, exaustão extrema e, crucialmente, o inchaço dos gânglios linfáticos (ínguas), principalmente no pescoço, axilas ou virilha.
- Fase de Erupção Cutânea: Começa geralmente de 1 a 3 dias após o início da febre. As erupções na pele (lesões) passam por diversos estágios: máculas (manchas planas), pápulas (lesões elevadas), vesículas (bolhas cheias de líquido claro), pústulas (bolhas cheias de pus) e, finalmente, crostas (cascas) que secam e caem.
As lesões podem ser dolorosas ou coçar e podem aparecer em qualquer parte do corpo, incluindo rosto, palmas das mãos, solas dos pés, tronco, membros, e de forma muito comum neste surto, nas regiões genitais, anais e dentro da boca. No caso do jovem de Araraquara, o relatório indicou lesões na região genital, tronco, membros superiores e na boca.
Formas de Transmissão
A transmissão da doença mpox ocorre principalmente através do contato próximo e direto com uma pessoa infectada. As principais vias são:
- Contato Direto Pele a Pele: Incluindo toque, beijo, abraço e contato sexual (vaginal, anal ou oral). O contato com as lesões de pele ou fluidos corporais é altamente infectante.
- Gotículas Respiratórias: Transmissão possível através do contato face a face prolongado com uma pessoa infectada (falar, tossir ou espirrar próximos).
- Contato com Objetos Contaminados: Compartilhamento de roupas, toalhas, lençóis, utensílios de cozinha ou superfícies que foram usadas por alguém doente e que não foram desinfetados.
- Transmissão Congênita: De uma gestante para o feto através da placenta.
Recomendações e Prevenção
Diante da confirmação do primeiro caso em Araraquara, a Dra. Estela Catelani reforçou a recomendação de que pessoas com lesões suspeitas procurem atendimento médico imediatamente. “Caso notem sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico em uma unidade de saúde”, afirmou a infectologista.
Pessoas com suspeita da doença devem ser isoladas imediatamente e submetidas a exames para confirmação diagnóstica (realizados via PCR da secreção das lesões). O isolamento deve continuar até que todas as crostas das lesões tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado, período que geralmente leva de duas a quatro semanas.
Atualmente, não existe um medicamento antiviral específico aprovado amplamente para mpox no Brasil para casos leves, sendo o tratamento focado no alívio dos sintomas (febre e dor) e na prevenção de infecções secundárias nas lesões de pele. A vacinação existe, mas no Brasil é destinada apenas a grupos de altíssimo risco e contatos de casos confirmados, seguindo critérios rigorosos do Ministério da Saúde.


